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Deu no Jornal
30/7/2010
Brasil conta com a Copa do Mundo para refazer sua infraestrutura
Jeffrey Marcus - New York Times
 

   Evento em Johannesburgo lançou oficialmente a logomarca da Copa de 2014

Menos de um mês após a conclusão de uma Copa do Mundo bem-sucedida na África do Sul, o ministro do Esporte do Brasil falou sobre a promessa do torneio de 2014 no país e respondeu às preocupações familiares a respeito da preparação dos estádios.

 

Eu acredito que o mundo ficará surpreso com o país que descobrirá em 2014, disse Orlando Silva Jr., o ministro do Esporte do Brasil, em uma teleconferência na quarta-feira. “Os investimentos em infraestrutura são importantes não apenas para o evento, mas para nosso povo. Nós estamos particularmente interessados em melhorar nossa infraestrutura de transporte público.”

 

O Brasil, como a África do Sul, usará o torneio quadrienal de futebol para refazer sua infraestrutura física, investindo quase US$ 19 bilhões em projetos nas 12 cidades-sede. Silva disse que US$ 6,5 bilhões seriam gastos em melhorias no transporte público, com US$ 3,1 bilhões gastos em aeroportos. O governo federal pagará por 70% do investimento total, com os governos estaduais e prefeituras cobrindo outros 8%.

 

A Copa do Mundo é um projeto nacional”, ele disse. “Isso torna os preparativos para a Copa do Mundo um tanto complexos.”

 

Um dos desafios mais complexos será encontrar um estádio adequado em São Paulo, a maior cidade do país e o berço do futebol brasileiro. A construção de estádios também foi uma preocupação persistente nos preparativos para a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul.

 

“Essas são opiniões daqueles que ignoram a realidade do país”, disse Silva por meio de um intérprete, durante a teleconferência com repórteres. Ele acrescentou: “A FIFA terá que fazer sua parte, porque os projetos para os estádios foram aprovados apenas em maio, e não é possível iniciar as obras nos estádios sem que os projetos tenham sido aprovados”.

 

O estádio do Morumbi em São Paulo, com 50 anos, é insuficiente, disse a FIFA, e os planos para reformá-lo foram rejeitados quando os organizadores perderam o prazo em maio para garantir o financiamento de US$ 135 milhões. Os planos para realização da cerimônia de abertura e partida inaugural no Morumbi foram descartados. Sem uma reforma ou construção de um novo estádio, a cidade poderia ficar de fora da Copa do Mundo.

 

Eu recebi um relatório sobre a situação dos estádios brasileiros; eu preciso dizer que não é muito bom”, disse Jerome Valcke, secretário-geral da FIFA, em maio. “É incrível como o Brasil já está atrasado. Os estádios são os elementos básicos que precisamos para ter uma Copa do Mundo, e no Brasil, por ora, a maioria dos prazos já expirou e precisamos estabelecer novos prazos.”

 

O Brasil sediou a Copa do Mundo em 1950 e o torneio de 2014 será o primeiro na América do Sul desde 1978, quando a Argentina sediou e foi campeã. Mas Silva está confiante de que restando ainda quatro anos, há muito tempo para tratar das preocupações da FIFA e concretizar as ambições dos organizadores.

 

Eu acredito que nos últimos meses a FIFA estava concentrada na Copa do Mundo na África do Sul, e estamos esperando por uma presença física mais ativa, mais forte da FIFA no Brasil para que possamos, de mãos dadas, preparar a Copa do Mundo”, disse Silva. “É um desafio que cumpriremos e a FIFA será uma parceira fundamental neste aspecto. Eles farão o que puderem para que tenhamos um evento positivo. Eu estou certo disso.”

 

Ele acrescentou: “São Paulo é o único gargalo nos preparativos para a Copa do Mundo de 2014, porque as outras 11 cidades estão se preparando em um ritmo muito bom”.

 

O plano de investimento para a Copa do Mundo de 2014 inclui US$ 2,7 bilhões para estádios, mas sem ultrapassar US$ 226 milhões, ou 75% do custo total, em qualquer local individual. A construção dos estádios em Manaus, Cuiabá, Natal, Salvador, Belo Horizonte e Brasília já está em andamento.

 

Nós estamos nos preparando para a Copa do Mundo ao mesmo tempo em que estamos nos preparando para sediar os Jogos Olímpicos e as Paraolimpíadas”, disse Silva. “Nós estamos tentando maximizar o investimento em áreas sensíveis que cobrem os dois eventos.”

 

O Rio de Janeiro, que receberá partidas da Copa do Mundo, também será a sede dos Jogos Olímpicos de 2016, e três outras cidades da Copa do Mundo receberão partidas do futebol olímpico.

 

Áreas como a infraestrutura aeroportuária levam em consideração as demandas previstas tanto para 2014 quanto 2016”, disse Silva. “E, é claro, nós já discutimos com a FIFA e com o COI para que o centro de imprensa que atenderá a Copa do Mundo também seja usado pelas Olimpíadas de 2016, como parte dos centros de mídia e transmissão.”

 

Tradução: George El Khouri Andolfato

 

 

 

 

 

   
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