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Editoriais
28/7/2010
Choque de ordem no Turismo do Rio de Janeiro
Bayard Do Coutto Boiteux*
A cidade não pode divulgar que dispõe de uma unidade voltada para o turismo se seus integrantes não tenham a percepção da atividade, nunca viajaram, não fizeram cursos específicos e não falam idiomas estrangeiros
Imagem: fotocomposição do DT
 

O Rio de Janeiro merece respeito. Sobretudo aqueles que nos visitam apesar de todas nossas mazelas. Infelizmente encontram uma cidade descuidada  em alguns aspectos e que precisa urgente de um choque de ordem.Quero iniciar com o problema dos taxis, sobretudo no entorno do Pão de Açúcar do Corcovado e nos terminais de chegada rodoviário, portuário e aéreos. A fiscalização quase não existe e há um aumento diário de taxímetros adulterados, de piratas ou ainda de carros de passeio atendendo nossos visitantes. A audácia chegou a tal ponto que carros pertencentes a cooperativas autorizadas acabam lesando o consumidor. Eu mesmo, que pareço um gringo tive vários problemas no Santos Dumont e no Tom Jobim.

O problema tem que ser resolvido de uma vez por todas, com a presença dos órgãos públicos de forma constante e não apenas quando aparecem denuncias. Os preços das corridas devem ser afixados em cartazes bilíngües nos terminais de chegada,nos hotéis e nos principais atrativos turísticos. É uma forma preliminar de evitar que a imagem da cidade seja ainda mais prejudicada por um pequeno número de motoristas. Tenho certeza que o verdadeiro profissional também vai concordar com tal medida. É bom lembrar que o turismo se faz através de pequenas medidas e não de projetos sensacionalistas,que nunca saem das gavetas.
 

Outra ação diz respeito a segurança do turista que viaja por conta própria, que é uma tendência mundial e que o Rio deve se integrar para poder sobreviver. Vamos criar o passaporte  verde do turista que será entregue na chegada ao Rio de Janeiro,com algumas recomendações de como se comportar,como circular e as áreas que deve evitar. Vários países se utilizam de tal instrumento, que serve como orientação. Já que não conseguimos que os integrantes das forças de segurança, que atuam timidamente em algumas áreas turísticas da cidade falem idiomas,sugerimos o dicionário do turista,com expressões básicas em espanhol,inglês e francês,para que tenham,pelo menos a possibilidade de orientar nossos turistas,que se perdem também pela falta de sinalização e postos de informações turísticas.

 
A cidade não pode divulgar que dispõe de uma unidade voltada para o turismo se seus integrantes não tenham a percepção da atividade, nunca viajaram, não fizeram cursos específicos e não falam idiomas estrangeiros. Fica aqui o apelo para que tais policiais sejam melhor remunerados e incentivados.

Os grandes espaços urbanos como a Lagoa, o Parque do Flamengo,  para citar apenas alguns, precisam de uma grande faxina. Estão abandonados, sem sinalização, sem a presença efetiva do poder público e vão sobrevivendo pela vontade de alguns. Seria de bom tom, pintar as alamedas, os bancos, consertar os brinquedos infantis, ordenar a proliferação de vendedores ambulantes, pseudo-academias de ginástica e aluguel de bicicletas e barcos. Vamos buscar exemplos internacionais que deram certo e apenas copiar. Há tantos consulados no Rio que estariam interessados em ajudar, se fossem contactados. Uma cidade ordenada traz um sentimento de cidadania, que talvez seja um dos fatores, que mais teríamos que trabalhar. O carioca não reclama muito, exige pouco e assim o poder público vai se descuidando e quando das eleições aparece para ficar mais um tempinho.

O choque de ordem não é municipal, estadual ou federal. É brasileiro, é a união dos três poderes, que não pode acontecer por conveniência político-partidária como ocorre hoje mas por ser constitucional. É dever da União e do Estado, independente de coloração partidária ajudar municípios e estado. Quando há tal interação, parece um fato inusitado, o que nos deixa estarrecido.

A sobrevivência do Rio passa pela criação de um grande conselho de desenvolvimento turístico, onde iniciativa privada e poder público estejam sentados, discutindo e realizando. O turismo não sobrevive sem as outras secretarias e entes do município, do estado e da federação. Ele não é auto-suficiente, nem consegue fazer nada sozinho. É só pensarmos no Carnaval, onde tudo funciona tão bem, graças à  integração dos órgãos públicos.

Conclamo a todos a pedirem um grande choque de ordem turístico, lembrando o falecido jornalista João Carlos de Oliveira, ex-presidente da Associação brasileira dos jornalistas e escritores de turismo do Rio, que muito bem desenvolveu tal ação. Não é uma guerra, é apenas um ordenamento vital, para o Rio Turístico, o maior do Brasil.....

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*Bayard Do Coutto Boiteux é diretor da faculdade de Turismo da UniverCidade e preside o Site Consultoria em Turismo (www.bayardboiteux.pro.br)
   
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