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Jan Hillen - Em janeiro 2000 fui contratado por uma empresa/operadora da Itália para implantar um trabalho de organização e fundação de uma agência receptiva, a antiga Marilha Tours, na cidade de Camocim, Litoral do Ceará e posteriormente uma filial em Fortaleza. Realizei este trabalho durante 1 ano e seis meses. Em 2004 realizei um trabalho de Tour Leader para uma Operadora Belga acompanhando grupos num roteiro cultural pelo Brasil e assim conheci o destino de Foz do Iguaçu. Logo percebi o potencial desta região e iniciei um trabalho preparativo para melhor atender o turista internacional usando as experiências que tive trabalhando no ramo em vários países da Europa e Caribe.
Diário do Turismo - Em sua trajetória de vida viveu várias experiências em vários estados brasileiros, poderia dizer qual foi o trabalho mais desafiador? E mais gratificante? Jan Hillen - O mais desafiador foi abrir a nossa agência em Foz do Iguaçu devido ao fato de procurar espaço entre as já existentes (mais de 90 agências locais na época), procurar meu espaço e meu público, buscar ser diferente de ''meus colegas e concorrentes'', mas sem nunca perder a ética do ramo de nosso trabalho. O mais gratificante foi o trabalho em Camocim pois ainda não dominava o idioma português quando cheguei ao Brasil, não tinha nenhuma referência na cidade e nenhuma experiência anterior. Mão de obra qualificada também era raro encontrar, mas consegui motivar um grupo de pessoas que se propôs a aprender, foi ai que resolvi a treiná-los para realizar o trabalho pretendido na época e até agora a maior parte deles ainda está trabalhando no ramo do Turismo com sucesso, alguns até residindo e trabalhando no exterior. Inclusive, foi nesta época (2002) que fundei o famoso Ritz Café em Fortaleza que foi nomeada por 2 (duas) vezes; pela revista VEJA como melhor casa Noturna da cidade, foi talvez a melhor experiência que já tive aqui no Brasil, pois consegui abordar o público local com atendimento personalizado e uma programação musical e cultural diferenciada, praticadas pelas demais casas na época. Diário do Turismo – O senhor é guia, consultor, dono de uma operadora de turismo ecológico o que é viver toda essa experiência num lugar como Foz do Iguaçu?
Jan Hillen- É muito bom, pois percebemos as qualidades e dificuldades do destino Foz do Iguaçu que, na minha opinião particular, opera com 40 % da capacidade que poderia estar operando, pois tem potencial Turístico para muito mais.
Diário do Turismo – O senhor poderia detalhar...
Jan Hillen - Isso se deve à alguns fatores: Custo e conexões de companhias aéreas, falta ainda infra-estrutura na cidade, falta planejamento de investimento por parte das autoridades competentes locais, falta incentivo aos Agentes e Operadores da cidade; falta organização e união entre ''nós agências'' da cidade; Diário do Turismo - Como o senhor analisa o turismo ecológico no Brasil?
Jan Hillen - Está começando a evoluir, porém falta muita informação e divulgação além de alguns destinos serem muito caros. Um exemplo é a Costa Rica que começou a surgir como destino ecológico há alguns anos, porém antes de se lançar para o mundo se preparou bem e no meu modo de ver hoje seria o maior concorrente do Brasil sendo um destino mais barato e com muita eficiência também no Mercado Internacional.
Diário do Turismo - Qual o público que adere ao turismo ecológico?
Jan Hillen - O turismo ecológico é um dos mais procurados ultimamente, por causa da globalização, pessoas morando e trabalhando em cidades metropolitanas e querem durante as férias resgatar o contato com a natureza e tranquilidade e fugir do stress do dia a dia.
Diário do Turismo -Os turistas que procuram este mercado são de que origem?
Jan Hillen - A maior parte da Europa Central e Norte, Estados Unidos e Canada. Nova tendência também é de origem do mundo Árabe.
Diário do Turismo - O que o senhor sugere para este turismo consolidar no Brasil, quais barreiras enfrenta?
Jan Hillen - Implantação de cursos de capacitação voltado ao atendimento de turistas internacionais e até mesmo nacionais, como preparação psicológica, conhecimento das origens do visitante, saber tratar os turistas, esquecer a fantasia de que todo estrangeiro é rico, pois como no Brasil lá fora também existe classe baixa, média e alta, que independente trabalham às vezes por um ano inteiro para realizar um sonho. O governo deveria investir mais nas crianças ensinando desde cedo no mínimo três idiomas: o português, inglês e um opcional como espanhol ou outro idioma, que neste caso isso se refletiria numa melhora não somente para o turismo, mas em geral para próprio país. Tem uma frase que se levada a sério podemos sempre atingir a satisfação do turista seja ele de qualquer nacionalidade: "Quando atendemos um turista estamos trabalhando com um sonho, que às vezes demorou vários anos para se concretizar, então devemos ter o maior respeito e cuidado para não frustrar esta pessoa!.
Diário do Turismo - O que tem sido feito em relação ao turismo ecológico no Brasil?
Jan Hillen - Nos últimos cinco anos, tempo que possuo a Gulliver Brasil, vi pouco mudar. infelizmente. Diário do Turismo - Qual o impacto do turismo internacional no Brasil no que se refere à Copa do Mundo e Olimpíadas?
Jan Hillen –Temos que analisar dois aspectos. O primeiro é sobre a visibilidade do país. A popularidade do Brasil até 2014 estará em alta constante na mídia do mundo inteiro, temos que até 2014 nos preparar e melhorar em todos os sentidos e mostrar ao mundo o quão belo é este país e este povo, porém mostrarmos que além de belezas e um povo alegre e hospitaleiro somos eficientes, tecnológicos e capazes de estar a altura de qualquer outro país deste planeta.
O outro aspecto é se nossos representantes não entenderem a importância para o país de sediar esta Copa e essa Olímpiada, talvez causemos uma impressão pior do que aquela impregnada nas últimas décadas de um país de mulatas, carnaval e futebol. |