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Alto Nível
21/7/2010
Aliança entre Azul e ATR não compromete relação com a Embraer
Redação do DT
Fotos: DT e divulgação
 

  Miguel Dau (vice-presidente técnico-operacional da Azul), Pedro Janot (presidente da Azul) e Felippo Bagnato (Ceo da ATR)

O título da matéria traduz a preocupação que o presidente da Azul, Pedro Janot, demonstrou ao anunciar nesta terça-feira (20), em São Paulo, o contrato para a compra de 20 aeronaves turboélices modelo ATR 72-600s, mais a opção para a compra de 20 outras aeronaves.
 
“O projeto com a ATR não se contrapõe ao nosso projeto com a Embraer. A Azul não está abandonando a empresa brasileira”, justificou.

Até então, a companhia era a única com uma frota de jatos 100% brasileira,  com 10 Embraer 190 e oito Embraer 195. A ATR está baseada em Toulouse, no sul da França.

Durante a coletiva de imprensa, Janot lembrou que o acordo com a ATR estava sendo assinado naquele momento em Londres por David Neeleman – presidente do Conselho da Azul -, durante o Farnborough Air Show. O contrato envolve aproximadamente 850 milhões de dólares, incluindo as 20 opções.

Ainda segundo Janot, os modelos turboélices da ATR servirão para ligar os passageiros da Azul a cidades menores e com menos demanda à atual malha da Azul. “A idéia é aproveitar os pequenos aeroportos no interior do país, ligando cidades médias e grandes do Brasil”. Um dos trajetos já definidos é do interior de São Paulo para o aeroporto de Viracopos, em Campinas, atual base das operações da empresa.

O lema da Azul sempre foi evitar os grandes hubs e esta aquisição de aeronaves se adapta a esse cenário, já que as ATR 72 600 são aeronaves para voos regionais, com menor custo de operação e com performance imbatível”, explicou.

Felippo Bagnato, CEO da ATR e presente à coletiva, rezou na mesma cartilha, já que sua empresa é líder mundial na fabricação de aeronaes turboélices de 50 a 74 lugares. “Queremos aquecer o mercado com preço menor e freqüência maior”, revelou em um português empolado.

Janot, no entanto, descartou a vontade da Azul em disputar fatias de mercado. “Não estamos brigando contra a Trip, a Gol ou a WebJet. Não queremos disputar market-share, mas sim chegar a um ponto de rentabilidade”, revelou.

Além disso, prosseguiu, estamos regionalizando a aviação brasileira e alimentando um mercado que ainda está para ser conquistado”, reforçou.

Segundo Miguel Dau, vice-presidente Técnico Operacional da Azul, a escolha dos turboélice se deu por se tratar do modelo mais indicado para o transporte aéreo regional com distâncias menores a 500 quilômetros. Companhias como as brasileiras Trip e NHT, por exemplo, já utilizam esse tipo de avião (Veja texto ao final).

Infra-estrutura e Copa 2014

Temas genéricos relacionados à aviação são sempre colocados em questão quando diretores e presidentes de empresas aéreas se apresentam ao diálogo. O quesito Infra-estrutura dos aeroportos, segundo Janot, é preocupante, no entanto ele confia nos investimentos de R$ 5.5 bilhões nos aeroportos brasileiros - anunciados esta semana - com vista para a Copa do Mundo de 2014. “É preciso lembrar, porém, que o grande problema nacional são os grandes hubs, o que diretamente não nos atinge”, ponderou.

Indagado se este acordo com a ATR era vislumbrando os grandes eventos que o Brasil acolherá nos próximos anos, Janot foi taxativo. “Nenhuma empresa seja ela de que ramo for faz seu planejamento estratégico baseado em um evento que dura apenas 30 dias. E aqui recorro a uma frase de David Neeleman: ‘A questão é aqui e agora”.

Uma pergunta para o comandante Miguel Dau

Por que o ATR 72-600?

Em entrevista ao Diário do Turismo, o comandante Miguel Dau, vice-presidente técnico operacional da Azul, explicou porque a escolha do ATR 72-600:

Basicamente é uma aeronave que se destina a operação em pistas mais restritas, em relação aos que a Embraer poderia operar. Ele opera em mercados com menor demanda. É uma aeronave que possui um baixo consumo, quando comparados com jatos de mesmo porte – de 70 passageiros -  o ATR 72-600 consome um terço a menos de combustível comparado a esses jatos.

O custo de manutenção, consequentemente, é bem mais baixo, pela concepção que essas aeronaves têm por servirem em mercado de menor demanda. A gente sabe que são aeroportos que não têm manejo para infra-estrutura e manutenção. São aeronaves que operam na África, e na Ásia.

É uma aeronave de fácil operação e que pode incorporar toda a tecnologia dos E-jets, fazendo com que as transmissões futuras entre os pilotos e os próprios mecânicos sejam facilitadas.

Sem barulho, mais conforto - Os motores são de última geração. Ela tem um equipamento que faz o abatimento desse ruído, contrapondo um contra-ruído fazendo com que o conforto a bordo da aeronave seja muito próximo de um avião a jato. Cada aeronave ATR 72-600 sai em torno de 21 milhões de dólares".

  Escolha dos turboélices se deu por se tratar do modelo mais indicado para o transporte aéreo regional com distâncias menores a 500 quilômetros

   
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