A jornalista Cristina Lira de Natal, correspondente do DT, conversou com exclusividade com o empresário , Sérgio Gordilho. Baiano, passou toda a infância em Salvador, passeando de bonde pela Avenida Sete, tomando banho de mar no Porto da Barra e veraneando em Itapoã. “Respirei o potencial turístico da Bahia desde o dia em que nasci”, disse Gordilho. Em 1978, ou seja, há 32 anos, começou a trabalhar no turismo. Durante todos os anos 80 e no início dos anos 90, atuou nas áreas de promoções e marketing da Bahiatursa, tendo a oportunidade de desenvolver vários projetos nas áreas de Estudos de Mercado, Marketing, Promoções e captação de eventos para a Bahia. A partir de 1995, passou a atuar como empresário, organizando e promovendo eventos, tendo, inclusive, realizado eventos para ABAV/BA e ABIH/BA. Em 2000 foi convidado pela Secretaria de Turismo do Estado da Bahia para, em Porto Seguro, implantar o Centro de Convenções da Costa do Descobrimento e o Porto Seguro Convention & Visitors Bureau. E hoje promove o ENTUR- Encontro Nacional de Turismo da Bahia que acontece no mês de agosto. Com exclusividade ele fala ao DT sobre o turismo da Bahia, sobre o impacto da Copa do Mundo no Brasil, entre outros assuntos.
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Diário - Quantos turistas em média visitam a Bahia por ano?
Gordilho - Segundo dados da SETUR a Bahia recebeu em 2008 cerca de 9.052000 (nove milhões e cinqüenta e dois mil turistas)
Diário - Qual o maior pólo emissor da Bahia. E o receptivo internacional como vai?
Gordilho – Salvador, sem dúvida, é o maior pólo emissor de turistas e é seguida dos principais municípios do Estado, como Feira de Santana, Vitória da Conquista, Itabuna e assim sucessivamente. Quanto ao turismo internacional não tenho dados concretos, mas os dados da SETUR indicam que 514 mil turistas visitaram a Bahia em 2008. Muito pouco em minha opinião.
Diário - Como o senhor analisa o turismo baiano?
Gordilho -É complicado fazer uma análise complexa em poucas linhas, mas, posso dizer que os dirigentes do turismo de um destino como a Bahia devem ter a visão de um C.E.U. de uma grande corporação empresarial. Ver o destino como um produto, aperfeiçoar e preparar esse produto para ser consumido, apreciado e adorado, tanto por quem já experimentou, como por quem ainda não teve essa oportunidade.
Com efeito, é indispensável que a indústria turística passe a empreender ações com profissionais especializados, investir na embalagem, na segurança, no acesso e no desenvolvimento de outros atributos capazes de agregar maior valor ao nosso turismo, uma vez que este não deixa de ser um produto, um bem de consumo, do mesmo modo que os automóveis e os televisores.
Os atributos naturais, históricos e culturais da Bahia dispensam qualquer comentário. Esta é, realmente, uma “terra abençoada por Deus e bonita por natureza”.A meu ver, a Bahia merece que se dispense maior atenção para sua indústria turística por parte dos órgãos de Estado, uma vez que, ela tem potencial para se tornar um dos maiores propulsores da economia local.
Diário - Neste ano será realizado o 3º Encontro Nacional de Turismo, quais as novidades e expectativas?
Gordilho - A grande novidade é o crescimento do evento que a cada ano cresce em número de expositores e em área locada para estandes. Estamos prevendo mais de 200 expositores e já temos mais de 150 confirmados.Mas teremos também as capacitações para os agentes de viagens.
Diário - Como o senhor analisa a questão dos cruzeiros no Brasil e quanto aos portos brasileiros e principalmente do nordeste?
Gordilho - Essa é a briga histórica de Alexandre Zubaran e de Eduardo Nascimento, sem dúvida, dois ícones do turismo nacional. O problema reside na ausência de portos adequados e com infra-estrutura bastante para receber os turistas, mas não vejo nisso um obstáculo intransponível, com o tempo isso tende a melhorar. Essa atividade é muito nova para os brasileiros, principalmente, aqui no nordeste. Vamos chegar lá.Acredito que, aparando arestas, há muito espaço para o desenvolvimento do setor.
Diário - Porto Seguro e Trancoso são os carros chefe do turismo baiano?
Gordilho - São dois destinos de grande importância e com uma oferta de infra-estrutura hoteleira fantástica. No ano 2000 já tinha a maior oferta de meios de hospedagem do Nordeste. No aspecto quantitativo podemos, talvez, afirmar que esses destinos se destacam, porém, em termos qualitativos, quando levamos em conta, por exemplo, indicadores como o gasto médio do turista, já não há tanto destaque. Salvador e o Litoral Norte, com o turismo de lazer e com o turismo de eventos e de negócios, com destaque para os Resorts, ficam bem à frente dos destinos da Costa do Descobrimento |
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