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Alto Nível
17/7/2010
Maurício Werner: frente suprapartidária, reciprocidade e concursos públicos para as autarquias do turismo
Redação do DT
Foto: Diário_do_Turismo
 

Carioca do bairro da Tijuca, Maurício Werner é diretor da Planet Work, empresa que tem foco em Educação Empresarial.   Professor universitário, ministra aulas nos cursos de graduação da UniverCidade no Rio de Janeiro e  leciona nos MBAs da FGV, UCAM, UBM e Gama Filho.

No início deste mês lançou, juntamente com o professor Bayard Boiteux da Univercidade, uma frente suprapartidária para analisar as políticas públicas e privadas de turismo do Rio de Janeiro.  Em entrevista exclusiva ao Diário do Turismo, Werner detalha os objetivos dessa frente e, entre outras idéias, propõe a abertura de concursos públicos para autarquias do turismo fluminense. “O Rio precisa valorizar os bacharéis em turismo e hotelaria, com a abertura de concursos públicos. A Riotur e a Turis-Rio nunca fizeram um concurso público e no interior poucas prefeituras o fizeram”, afirma ao jornalista Paulo Atzingen, editor do DT.

Empreendedor, Werner defende uma bancada Pro-Turismo na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal. “O turismo precisa mostrar sua força política e o trade tem que se conscientizar de que é forte”, ressalta. Abaixo a entrevista completa:

Diário – O professor Bayard Boiteux e o senhor lançaram no início deste mês uma frente em prol de práticas mais transparentes na política do turismo. Que movimento é esse?

Maurício Werner - Criamos uma frente suprapartidária para analisar as políticas públicas e privadas de turismo e fazer algumas sugestões. Queremos envolver o maior número de pessoas, e não entidades, que queiram lutar por um Rio verdadeiramente turístico. Já temos importantes adesões e devemos fazer nosso primeiro encontro em agosto. Nossa ideia é também consolidar um documento denominado Diretrizes para o planejamento turístico do Estado do Rio de Janeiro 2010/2014, que possa ser uma colaboração, tanto para os futuros prefeitos do Estado como para o futuro governador.

Diário – Vocês vão envolver associações e entidades ligadas ao Turismo? Alguma já aderiu ao movimento?

Werner - Como afirmei anteriormente, o movimento é mais de pessoas físicas, no entanto, o professor  Bayard e eu vamos nas próximas semanas conversar com as lideranças turísticas do Estado, incluindo associações de classe, para verificar se desejam participar de nosso movimento para o Estado do Rio Turístico.

Diário – Essa frente pretende se expandir para outros estados?

Werner - Nossa luta é pelo Estado do Rio de Janeiro, pois somos daqui. Se tivermos, no entanto, êxito com o movimento, o que só poderemos avaliar nos próximos meses, poderemos visitar outros Estados para mostrar nosso modelo de atuação. O Rio fez isso com o Convention Bureau e com o Rio é de Vocês.
Diário – Quais os principais dados, auferidos pela pesquisa que a UniverCidade faz junto aos turistas que visitam o Rio de Janeiro?

Werner - As pesquisas são feitas pela Planet Work, Site Consultoria em Turismo-Bayard Boiteux, Fundação Cesgranrio e os cursos de Turismo e hotelaria da UniverCidade. É uma grande parceria para conseguir viabilizar nossas pesquisas. Criamos o Ipetur o Instituto de Pesquisas e Estudos do Turismo da UniverCidade, presidido pelo professor  Bayard para sistematizar todas as pesquisas. Os resultados podem ser vistos no
www.univercidade.br.
Conseguimos pela primeira vez obter perfis dos diversos turistas nacionais e internacionais que visitam a cidade,s egmentos específicos como glbts, alberguistas, melhor idade, para citar exemplos. O Rio nunca teve a quantidade de pesquisa que desenvolvemos.

Diário – O senhor como empreendedor carioca, como vê a posição do Rio de Janeiro, como um dos epicentros dos grandes eventos (Copa do Mundo e Olimpíadas) nos próximos anos? Como o senhor analisa a postura, o preparo, dos setores público, privado e dos profissionais?

Werner - O Rio, desculpe a redundância,  é uma cidade maravilhosa, com uma população hospitaleira e com ma infraestrutura turística razoável. No entanto, é preciso que o Estado ganhe urgente uma secretaria voltada exclusivamente para o Turismo e que faça mais investimentos na promoção internacional, estando presente nos grandes eventos internacionais e buscando confeccionar material promocional para os diversos mercados. Falta um plano de turismo para o Estado, que seja efetivamente colocado em prática com metas mensuráveis. O interior do Estado, com raras exceções, não conseguiu profissionalizar o setor oficial de turismo e vive de certames. Participei ativamente do programa de estruturação turistica dos municípios do Estado do Rio, na gestão RobertoGherardi. Acho que foi um modelo que deu certo, mas infelizmente sofreu descontinuidade.

O Rio precisa também valorizar os bacharéis em turismo e hotelaria, com a abertura de concursos públicos. A Riotur e a Turis-Rio nunca fizeram um concurso público e no interior poucas prefeituras o fizeram.

A profissionalização é mais do que necessária, nos mandos gerenciais. É preciso reciclagem, mudanças,  pois o modelo  atual, embora de qualidade em alguns prestadores de serviços turísticos, não teve muita evolução. Os grandes eventos esportivos serão vitais para o Rio. Só que por enquanto, há muito marketing e pouca ação. As obras estão atrasadas e a única palavra é transparência nos gastos. Há uma confusão muito no executivo que está em ritmo de eleição.
 
Ressalto que o Rio precisa de uma bancada Pro-Turismo na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal. Repito, uma bancada e não apenas um ou dois parlamentares. O turismo precisa mostrar sua força política e o trade tem que se conscientizar de que é forte e não pode ficar aderindo a programas governamentais constantemente sem analisá-los melhor.
 
 
Diário: Qual o sua análise sobre a exigência do visto para os americanos?

Werner - A reciprocidade é um instituto do direito internacional, que norteia as relações entre países. Não podemos abrir mão da reciprocidade, é uma forma de defender nossa soberania. No entanto, temos que flexibilizar a concessão de vistos, o que na minha opinião poderá ajudar a aumentar o reduzido número de turistas internacionais que o Brasil recebe, que não representa   1%  de todos os turistas internacionais que nos visitam e que apesar dos tão falados esforços promocionais do governo federal, através do Plano Aquarela, vem diminuindo anualmente.

Quando falo em flexibilidade, sugiro que o visto possa ser concedido no aeroporto, na chegada dos turistas, com mecanismos rápidos e também seguros. É uma forma de manter a reciprocidade,  mas dinamizar a concessão.
 

   
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