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Ano IX - Edição nº 2868
de 22/05/2013
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ENTREVISTAS NACIONAIS
Fotos: DT - 28/7/2012

Alberto Feitosa, secretário de Pernambuco: ‘meu grande legado é a interiorização’


Redação e Edição do DT

 

Com um jeito de anfitrião que sente prazer em receber visita em casa, Alberto Feitosa, secretário de Turismo de Pernambuco recebeu a reportagem do DIÁRIO DO TURISMO em seu gabinete, na sede do governo, na capital Recife. Pós-graduado em Empreendedorismo e Gestão de Negócios pela UFRPE, Feitosa transmitiu, durante a entrevista, toda aquela áurea característica de quem respira a terra Pernambucana de forma intensa, verdadeira: “o brasileiro finalmente teve a oportunidade de “luxar”, e dentro disso a possibilidade de viajar, coisa que até então não acontecia”, disse ao DT se referindo à elevação do poder aquisitivo da população, inclusive a de seu Estado.”O grande legado da minha gestão é a interiorização, porque a gente vive o momento em que é preciso focar no turismo nacional, esse momento que vive o Brasil de estabilidade econômica”, respondeu ao ser questionado pelo editor do DT, jornalista Paulo Atzingen, sobre a sua marca como secretário de Turismo de um estado tão rico e diversificado culturalmente falando. Questões relacionadas a investimentos hoteleiros no Estado de Pernambuco, voos charters, fluxo de turistas em terras pernambucanas e profissionalização do setor foram a tônica desta entrevista.
 
Feitosa foi diretor do Centro de Assistência Social (CAS) – 1999 a 2001; superintendente do Aeroporto Internacional dos Guararapes/Gilberto Freyre (2003 a 2006) e deputado estadual (2007 a 2010). Acompanhe a entrevista, completa, a seguir:
 
DIÁRIO: É uma pergunta clichê, mas é importante sabermos, como o senhor analisa o turismo de Pernambuco, Recife mais especificamente, antes e depois da Copa do Mundo?
 
"O fluxo turístico na África do Sul, pós Copa, cresceu cerca de 26%, o que significa um crescimento muito grande se você comparar ao do Brasil, que é de cerca de 5,5% ao ano"
ALBERTO FEITOSA: Eu acho que o grande resultado da Copa do Mundo é que antes haverá uma provocação, do Estado e das pessoas que fazem o negócio do turismo como um todo, da responsabilidade de você preparar o Estado de Pernambuco para receber o evento. E tudo isso sob o ponto de vista da qualificação da mão de obra, obras de mobilidade, de todo um contexto de amplitude que possa ter. Eu digo o seguinte, você vai fazer uma festa na sua casa e você vai prepará-la da melhor maneira, vai pintar, vai arrumar, vai comprar móveis novos, de modo que você queira receber da melhor maneira possível as pessoas, e logicamente você está fazendo isso porque quer receber bem, mas também quer deixar uma boa imagem da sua casa para que as pessoas que estiveram lá falem bem de você e da sua casa; e é ai que vem o segundo momento que é o legado que a Copa do Mundo deixará. Na minha opinião, o mais importante, pois pudemos observar na África do Sul, é que aquele país cresceu, sob o ponto de vista do fluxo turístico pós-Copa, cerca de 26%. Isto significa um crescimento muito grande se você for comparar com o Brasil, que cresce 5,5% ao ano. Você compara o crescimento anual de 8% em Pernambuco, e ai você imagina que um destino, por conta do advento da Copa do Mundo,  possa crescer 26% no ano seguinte. Então são esses dois momentos, um é preparar, sob o ponto de vista do Estado, das pessoas que vivem do negócio do turismo como hotéis, restaurantes, transporte, etc, e o outro é o legado que vai ficar, tanto para a sociedade quanto para o destino turístico.
 
O aeroporto internacional de Recife foi reformado e ampliado na gestão de Alberto Feitosa
DIÁRIO: Ainda Dentro deste mesmo assunto, Pernambuco utilizou as linhas de financiamento como o Pró-Copa?
 
ALBERTO FEITOSA: Houve várias linhas, vários programas de crédito, o governo federal, criou um comitê da Copa, que se replicou nos estados e especialmente nas cidades que vão sediar a Copa do Mundo; houve então o credenciamento para vários recursos. O nosso governador tem uma relação muito boa com o governo federal e tratou logo de agendar uma audiência para cuidar das coisas de Pernambuco de maneira separada, e ai  credenciamos o Estado em uma série de recursos, desde obras de mobilidade, obras de infraestrutura turística a qualificação de mão de obra, diversificando as opções de credenciamento, e para o que precisávamos de apoio, fomos buscar junto ao BID e ao BNDS.
 
DIÁRIO: O senhor pode enumerar algumas dessas obras?
 
ALBERTO FEITOSA: Ao todo são quatro viadutos na Avenida Governador Magalhães, tem o corredor leste-oeste, o corredor norte-sul, e o ramal da Copa e, logicamente tem obras que são nos próprios estádios. Além disso, tem o Prodetur Nacional que está sendo feito em cima de obras de infraestrutura turística visando a Copa e o Pronatec Copa, focado na qualificação de mão de obra, e o que eles estão chamando de Pronatec InConpany, focado nos profissionais que já estão empregados
 
DIÁRIO: Quanto à formação de pessoal, vocês tem a preocupação de profissionalizar, aperfeiçoar esses profissionais. Quais são as linhas de atuação do governo de Pernambuco?
 
ALBERTO FEITOSA: O governador também foi muito feliz quando logo no início desse segundo mandato criou uma secretaria de emprego, qualificação e empreendedorismo. Esse secretário tem assento nas reuniões do CECOPA, e ai existem recursos de fonte 102, ou seja, do governo federal e recursos também da fonte 101 – governo do Estado – fazendo qualificações. Então a orientação é a seguinte: naquilo que o sistema Pronatec,  com o sistema S não atender o Estado vai suprir.
 
"Começamos agora uma operação com a Copa Airlines para atender toda a América do Sul, América do Norte e Caribe, com 64 destinos"
DIÁRIO: O governo articulou através de operadoras voos charters para o Estado, como o oriundo de Córdoba, vocês tem outras idéias de fazer esse tipo de articulação?
 
ALBERTO FEITOSA: Nós tivemos o voo de Córdoba e também o de Frankfurt pela Condor, que começou como charter. Qual a nossa grande preocupação? Sabemos que o voo charter é importante, mas queremos isso como início de uma operação, então nós começamos desse modo com a Condor, que hoje virou uma operação rotineira, e que a partir de outubro terá duas frequências semanais. Começamos agora uma operação com a Copa Airlines para atender toda a América do Sul, América do Norte e Caribe, com 64 destinos; o de Córdoba  achamos extremamente interessante, e que deu resultados significativos quando começamos a comparar as visitações estrangeiras, quando os argentinos quase se igualaram aos norteamericanos, então achamos que essa operação de charter é importante, tanto que investimos nela, mas tentando fazer que isso vire rotina, voos regulares.
 
DIÁRIO: O senhor tem os números do fluxo de turistas nacionais e internacionais por ano no estado de Pernambuco?
 
ALBERTO FEITOSA: Nós temos um fluxo de 4,5 milhões de turistas, e o de turistas estrangeiros gira em torno de 8% desse total. Segmentando os estrangeiros, na verdade existe uma variação devido a atual conjuntura econômica mundial, mas nesse ranking destacam-se os países com os quais temos voos diretos como os Estados Unidos, Itália, Portugal, Alemanha e Argentina, que no ano passado por conta desses voos charters (temos um voo direto da TAM, mas ele tem duas escalas: em São Paulo e Salvador, e a idéia é tirar pelo menos essa parada em Salvador) tivemos esse “plus” durante três meses com o voo de Córdoba. Então a Argentina subiu, mas desses cinco as posições variam muito pouco.
 
O alto nível do artesanato de Caruaru é um exemplo prático da interiorização do turismo de Pernambuco
DIÁRIO: Agora uma pergunta quase pessoal, qual o legado que o senhor deixa, não como secretário e homem público, mas como cidadão pernambucano para o turismo?
 
ALBERTO FEITOSA: Eu acho que um grande legado da minha gestão é a interiorização, porque a gente vive o momento em que é preciso focar no turismo nacional, esse momento que vive o Brasil de estabilidade econômica, a questão da empregabilidade, o aumento da renda dos brasileiros, e eu brinquei ainda hoje com esse termo: o brasileiro finalmente teve a oportunidade de “luxar”, e dentro disso a possibilidade de viajar, então vários pacotes foram desenvolvidos para brasileiros, coisa que até então não acontecia. Então o interior de São Paulo, de Minas Gerais, descobriu o Nordeste, descobriu Pernambuco, o Centro-Oeste com o novo voo descobriu Recife e a região metropolitana e os próprios pernambucanos começaram a querer viajar mais; e aí começamos a investir mais na interiorização, porque hoje, por incrível que pareça, é muito interessante o turista nacional, porque tivemos problema com a economia Argentina, com a Européia, com a dos Estados Unidos, então nessas crises é importante que tenhamos um segmento, um turista que vá equilibrar a nossa balança, e assim os turistas estrangeiros passam a ser um “plus”. 
 
Então o grande legado que eu vejo que fica da minha gestão nesse momento são duas coisas: a primeira é o grau de interação, de parceria com os órgãos públicos do turismo, as outras secretarias de municípios, e também com o trade, e a segunda é a interiorização do turismo, que ficava muito aqui na costa, próxima de Recife, apenas “sol e mar”. Nós avançamos divulgando a cultura pernambucana através do artesanato, da culinária, levando Caruaru, levando o Sertão. E por que fizemos isso? Não foi só por achar que devíamos fazer, fizemos isso porque numa das pesquisas desenvolvidas pela Embratur na Copa do Mundo de 2010 ficou bem caracterizado que as pessoas quando vão à Copa do Mundo, não ficam apenas naquela cidade, chegando até a um raio de 200 quilômetros. Então estava provado que devíamos interiorizar nossas ações. Queremos que o turista gire dentro do estado, porque nós temos João Pessoa muito perto, e a gente quer que ele fique aqui. 
 
"Então o grande legado que eu vejo que fica da minha gestão são duas coisas: a primeira é o grau de interação entre os órgãos públicos de turismo, as outras secretarias de municípios, o trade, e a segunda é a interiorização do turismo"
DIÁRIO – E a participação nas feiras? 
ALBERTO FEITOSAParticipamos de inúmeras feiras de todo o Brasil; nelas levamos os vinhos do vale do São Francisco para degustação, levamos um pouco da gastronomia com o bolo de rolo, a cachaça. Nós modificamos a maneira de atuação, não que saíssemos das feiras ou do modelo tradicional de divulgar o estado, mas estamos fazendo diferente, realizando workshops em diversos destinos, neles levamos um chefe de cozinha, um artista pernambucano, levamos nosso artesanato para decorar, fazemos uma apresentação com vídeo, palestra e depois uma rodada de negócios, e durante todos os momentos é servida nossa culinária, o chef vai explicando como é que faz, e no final a gente faz o que todo mundo gosta de fazer: bota todo mundo pra dançar num ritmo de Pernambuco como o frevo, um baião, um forró, então as pessoas têm gostado muito, tem dado resultados.
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A AVIANCA levou o jornalista Paulo Atzingen a Pernambuco

 

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