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Ano IX - Edição nº 2864
de 18/05/2013
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Diario Entrevista
Foto: Divulgação - 30/6/2012

Julio Serson alerta: ‘É preciso levar em conta muitos elementos para construir hotéis’


Por Luís Adorno

Para Julio Serson, cinco cidades-sede podem ter mais hotéis do que turistas ao término da Copa do Mundo, são elas: Belo Horizonte, Cuiabá, Manaus, Brasília e Salvador

Estão previstos mais de 21 mil leitos adicionais até 2015 nas cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. Pensando nisso, o DIÁRIO DO TURISMO conversou com o vice-presidente de Relações Institucionais do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), para saber se isso influencia de forma positiva ou negativa o setor hoteleiro.

Me preocupa que eles [21 mil leitos adicionais previstos até 2015] não sejam precedidos de um planejamento adequado, muito menos de estratégias que possam atrair turistas para ocupar estes novos leitos”, disse Julio Serson ao repórter Luís Adorno.

Cinco cidades-sede podem ter mais hotéis do que turistas ao término da Copa do Mundo
, são elas: Belo Horizonte, Cuiabá, Manaus, Brasília e Salvador. Essas mesmas cidades são as que tem o maior número de habitações previstas até 2015. Julio Serson disse o seguinte, referindo-se a este assunto: “Esse é o alerta que estamos fazendo aos investidores. É preciso levar em conta uma gama de elementos para se construir hotéis”, afirmou.

Para solucionar este futuro problema, Serson opina: “O ideal é que não haja novos projetos nessas localidades, pelo menos enquanto não houver uma política de estímulo à ocupação hoteleira. Por isso, alertamos os investidores que pensem em seus investimentos e procurem identificar os locais onde realmente precisam aumentar a hospedagem.
 
Acompanhe abaixo a entrevista na íntegra:
 
"O maior problema das cidades próximas é a infraestrutura. Esse é o ponto principal, pois algumas têm dificuldade de acesso, como estradas ruins, entre outros fatores"

Diário – Quais são os principais fatores que fazem com que aumente a desproporção entre oferta e demanda de leitos?

 
Julio Serson – Com a escolha do Brasil para sediar estes importantes eventos esportivos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, houve grande procura por investimentos hoteleiros nas cidades-sedes. Entretanto, quem atua no segmento sabe que não se pode focar investimentos hoteleiros em eventos sazonais, mesmo de grande porte, pois passado o evento, se não houver um planejamento para manter um nível de ocupação razoável, os hotéis acabam ficando ociosos e o investidor não consegue ter seu retorno. E hoje, sabemos que o que mantém o fluxo nos hotéis e os índices de ocupação satisfatórios são os eventos de negócios.
 
Diário – Como você vê os mais de 21 mil leitos adicionais previstos até 2015?
 
Julio Serson – Por um lado é bom, pois demonstra que o setor está aquecido e precisamos de investidores com disposição para grandes investimentos. Entretanto, me preocupa que eles não sejam precedidos de um planejamento adequado, muito menos de estratégias que possam atrair turistas para ocupar estes novos leitos. Isso pode frustrar novos negócios em potencial.
 
Diário – Em relação às cidades próximas das cidades-sede, quais são as que mais chamam a atenção no setor hoteleiro?
 
Julio Serson – As cidades que ficam em torno das cidades-sedes, em um raio de 100 km, chamam a atenção por serem uma opção para os investimentos em localidades saturadas, como São Paulo, onde se destacam as cidades de Santos, Guarujá, Guarulhos, Campinas, São José dos Campos, São Roque, Atibaia, entre outras. Outras sedes também devem contar com leitos de suas respectivas regiões metropolitanas, como Recife, Salvador e Porto Alegre. Mas a mesma preocupação com relação às sedes, também deve ser levada em consideração às cidades próximas, sobre a superoferta.
 
Diário – Para que essas cidades próximas recebem uma boa proporção de turistas, quais são os cuidados e melhorias necessários?
 
Julio Serson – O maior problema das cidades próximas é a infraestrutura. Esse é o ponto principal, pois algumas têm dificuldade de acesso, como estradas ruins, entre outros fatores. Fortalecer a infraestrutura receptiva também deve ser outra preocupação desses municípios, uma vez que o turismo local deve ser incrementado.
 
Diário – Como o senhor avalia as cidades de Belo Horizonte, Cuiabá, Manaus, Brasília e Salvador, correrem o risco de ter mais quartos de hotéis do que turistas ao término da competição?
 
Julio Serson – Isso ocorre porque os leitos existentes nessas cidades, atualmente, já suprem suficientemente a ocupação atual. Para atenderem à demanda dos jogos esportivos, esses locais estão criando uma quantidade de leitos muito superior, que poderá ficar ociosa, se não houver um trabalho paralelo de incremento da ocupação local, como prospecção de eventos de negócios.
 
Diário – Por que essas capitais que correm esse risco, são, também, as com maior número de habitações previstas até 2015?
 
Julio Serson – Correm o risco, pois passada a Copa do Mundo de 2014, a quantidade de leitos disponíveis nos locais será muito superior à ocupação média atual, podendo gerar ociosidade. Esse é o alerta que estamos fazendo aos investidores. É preciso levar em conta muitos elementos para construir hotéis.
 
"As cidades correm o risco, pois passada a Copa do Mundo de 2014, a quantidade de leitos disponíveis nos locais será muito superior à ocupação média atual, podendo gerar ociosidade"

Diário – Como essas cidades podem se precaver para que não haja mais hotéis do que turistas ao término da Copa?

 
Julio Serson – O ideal é que não haja novos projetos nessas localidades, pelo menos não enquanto não houver uma política de estímulo à ocupação hoteleira. Por isso, alertamos os investidores que pensem em seus investimentos e procurem identificar os locais onde realmente precisam aumentar a hospedagem.
 
Diário – São Paulo e Rio de Janeiro não precisam se preocupar com o setor hoteleiro?
 
Julio Serson – São Paulo e Rio de Janeiro são um caso à parte. Essas capitais não sofrem desse problema, pois sediam centenas de eventos de negócios e de lazer, que mantêm os índices de ocupação da hotelaria em níveis satisfatórios. Novos empreendimentos se fazem necessários, mas não acontecem na mesma proporção da demanda por uma série de questões e uma delas é o preço dos terrenos. Por isso, dizemos que a demanda para estes eventos esportivos será suprida, pois estão previstos novos investimentos, inclusive em cidades vizinhas.
Luís Adorno - Repórter do DT

 

 

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